A artrose no joelho pode começar com um incômodo discreto ao subir escadas, agachar ou fazer exercícios. Com o tempo, porém, a dor pode ficar mais frequente e começar a limitar atividades que antes faziam parte da rotina.
É nesse momento que muita gente começa a pesquisar alternativas para controlar os sintomas e preservar a mobilidade. Entre as opções que podem ser avaliadas está o PRP para artrose no joelho, também conhecido como Plasma Rico em Plaquetas.
Mas será que o PRP serve para qualquer pessoa com artrose? E, principalmente: quando esse tratamento pode ser indicado?
A resposta depende de uma avaliação individualizada.
O que é artrose no joelho?
A artrose, ou osteoartrite, é uma doença que afeta toda a articulação e envolve alterações na cartilagem, no osso e em outras estruturas do joelho.
Dor, rigidez e dificuldade para realizar determinados movimentos estão entre as manifestações que podem ocorrer. A intensidade dos sintomas, porém, não é igual para todos.
Duas pessoas com alterações semelhantes em exames de imagem podem apresentar queixas bastante diferentes. Por isso, olhar somente para o exame não é suficiente para definir o tratamento.
É preciso entender onde dói, quando dói, há quanto tempo a dor existe e como ela interfere na rotina.
O que é PRP?
PRP significa Plasma Rico em Plaquetas. Ele é preparado a partir do sangue do próprio paciente.
Após a coleta, o sangue passa por um processo de centrifugação para obter uma preparação com maior concentração de plaquetas. Esse material é então utilizado no tratamento, conforme indicação médica.
As plaquetas são conhecidas principalmente por sua participação na coagulação, mas também liberam diferentes fatores bioativos envolvidos em processos celulares e na modulação da resposta dos tecidos.
No caso da artrose do joelho, o PRP é estudado como uma opção para redução da dor e melhora da função da articulação. Análises recentes de ensaios clínicos encontraram benefícios nesses desfechos em comparação com placebo em determinados períodos de acompanhamento.
Isso não significa, porém, que o PRP para artrose no joelho “crie um joelho novo” ou reverta necessariamente todas as alterações causadas pela artrose.
Quando o PRP para artrose no joelho pode ser indicado?
De forma geral, o PRP para artrose no joelho pode entrar na discussão terapêutica principalmente em pacientes selecionados com artrose leve a moderada, após avaliação médica.
Um consenso europeu publicado em 2024 considerou o PRP uma opção válida sobretudo nos graus leves a moderados de osteoartrite do joelho. O consenso considerou apropriado seu uso em determinados pacientes de até 80 anos, com artrose classificada entre KL 0 e III, após falha de tratamentos conservadores não injetáveis ou de outros tratamentos injetáveis.
Na prática, isso significa que a decisão não deve começar pela pergunta “PRP funciona?”, mas por outra: PRP faz sentido para este joelho, neste momento e para este paciente?
Essa diferença é importante.
PRP é indicado para artrose avançada?
Não necessariamente. Quanto mais avançado o comprometimento da articulação, mais cuidadosa precisa ser a indicação. Neste estudo, por exemplo, houve grande incerteza sobre seu uso nos casos classificados como KL IV, correspondentes à artrose radiograficamente avançada. O mesmo documento não considerou o PRP apropriado como primeira opção de tratamento.
Por isso, o grau da artrose faz parte da decisão, mas não é o único fator. Idade, sintomas, limitações funcionais, tratamentos anteriores, características da articulação e objetivos do paciente também precisam ser considerados.
O PRP cura a artrose do joelho?
Essa é uma das dúvidas mais importantes. O PRP para artrose no joelho não deve ser apresentado como cura para a doença.
O objetivo do tratamento pode envolver controle da dor e melhora da função em pacientes selecionados. Muitos pacientes encontram melhora funcional clinicamente relevante em diferentes períodos de acompanhamento e benefício para dor em alguns períodos quando o PRP foi comparado ao placebo.
Ao mesmo tempo, ainda existem diferenças importantes entre protocolos de preparação, concentração de plaquetas, número de aplicações e características dos pacientes estudados.
Por isso, os resultados encontrados em estudos não significam que todas as pessoas terão a mesma resposta.
Todo PRP é igual?
Não. Esse é um detalhe que muitas vezes passa despercebido quando alguém pesquisa sobre PRP para artrose no joelho.
Existem diferentes formas de preparar o plasma rico em plaquetas. A concentração de plaquetas e a presença de outros componentes podem variar de acordo com o protocolo utilizado.
Pesquisas recentes sugerem, inclusive, que características da preparação podem influenciar os resultados clínicos.
Isso reforça por que o tratamento não deve ser visto como um procedimento padronizado que serve da mesma forma para qualquer pessoa. A indicação começa antes da aplicação. Começa no diagnóstico.
O tratamento da artrose vai além da infiltração
Receber o diagnóstico de artrose não significa que o próximo passo seja automaticamente realizar uma infiltração. O tratamento pode envolver diferentes estratégias.
Exercícios, fortalecimento muscular, controle do peso quando necessário, mudanças na rotina, medicamentos e outras intervenções podem fazer parte do cuidado. Diretrizes atuais reforçam exercício, autocuidado e decisão compartilhada como componentes importantes do tratamento da osteoartrite.
Em determinados casos, procedimentos injetáveis podem ser considerados dentro desse planejamento. O mais importante é evitar a lógica de buscar um procedimento isolado para todos os pacientes.
Como saber se o PRP é uma opção para o meu joelho?
Não existe uma resposta segura sem avaliação. Durante a consulta, é importante entender as características da dor, limitações de movimento, histórico de lesões e tratamentos já realizados. O exame físico e, quando necessários, exames de imagem ajudam a complementar essa análise.
A partir dessas informações, é possível avaliar o estágio da artrose e discutir quais estratégias fazem sentido para aquele caso.
E existe um ponto importante: sentir dor no joelho não significa automaticamente ter artrose.
Tendões, meniscos, ligamentos, músculos e outras estruturas também podem estar envolvidos.
Por isso, antes de escolher o tratamento, precisamos descobrir de onde vem a dor.
Está com dor no joelho? Comece pelo diagnóstico
Se a dor aparece ao caminhar, subir escadas, treinar ou até durante atividades simples do dia a dia, não espere necessariamente que ela se torne incapacitante para investigar.
O PRP pode ser uma das possibilidades terapêuticas para alguns pacientes com artrose no joelho, mas sua indicação precisa fazer parte de uma avaliação individualizada.
Entre em contato e marque sua consulta comigo. A partir de uma avaliação completa, podemos entender a causa da sua dor e discutir quais opções de tratamento são adequadas para o seu caso.



